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Liberdade e muita ação em um game supreendente

Desde que o anúncio da produção de Crackdown surgiu,
há cerca de dois anos, só houve um momento em que pude me certificar da
qualidade do jogo: quando finalmente consegui jogá-lo com calma. Por
duas vezes vi o game de pertinho, sempre com algum produtor mostrando
malabarismos e exacerbando qualidades que mais pareciam promessas
vazias. Na verdade, era um sentimento geral. Poucos acreditavam no
título, as fotos não conseguem transmitir como ele é rodando e as
informações liberadas até então omitiam o que estava por vir. Acredite,
assim como eu, você vai se surpreender quando finalmente testá-lo.
O primeiro impacto é notar que não se trata de um clone descarado de Grand Theft Auto. Sim, David Jones, um dos criadores de GTA, é o presidente da Realtime Worlds, responsável por Crackdown.
Por isso, era possível imaginar que seria só mais um “joguinho” de ação
com liberdade. Ledo engano. Há fortes semelhanças entre os dois, no
entanto cinco minutos de partida bastam para que você note os rumos
inéditos que a produtora impôs a este título exclusivo do X360.
Repare com atenção nas imagens. Por
certo você verá carros sendo arremessados pelo ar, personagens dando
pulos imensos e um ambiente bastante vasto. Pois isso, mostra a ponta
do iceberg. Sem rodeios, você controla um policial dotado de
habilidades acima do normal. Imagine se o Incrível Hulk invadisse San Andreas, uma das cidades da série GTA.
É por aí. São cinco potencialidades que o sujeito possui, que começam
bem básicas e desenvolvem-se no desenrolar do jogo: pilotagem,
agilidade, força, uso de explosivos e manuseio de armas. Cada
potencialidade é representada por um ícone que, por sua vez, possui uma
barra de energia. Tais barras enchem conforme você executa ações
associadas às habilidades. Funciona assim: quando você mata um bandido,
orbes associadas ao uso de armas surgem para você coletar. O mesmo
ocorre ao se pilotar um carro. É possível ganhar força, por exemplo,
arremessando objetos. Obviamente, os primeiros que você consegue erguer
são apenas os pequenos, mas com tempo seu personagem pode usar carros e
caminhões como bolinhas de gude. As únicas que você não ganha - mas
deve encontrar - são os orbes de agilidade, pois ficam espalhadas pelo
imenso cenário.

Como um verdadeiro “open-ended game” ou, caso prefira, um daqueles títulos com liberdade total de ação, Crackdown permite
que você decida exatamente como e quando agir. Porém, diferente de
títulos semelhantes, o início não é vagaroso. Muito pelo contrário, a
ação chega a assustar, de tão abrupta. A cidade fictícia de Pacific
City é dividida em quatro territórios: La Mugre, Den, Corridor e
Agency, área em que se localiza a sede da polícia. As outras três são o
palco da ação. Cada uma é liderada por um grupo de criminosos. Há os
Los Muertos, os Shai-Gen Corporation e os Volk. A idéia, como deve ter
sacado, é eliminar o líder de cada facção. Pois bem, o que parece
simples, na prática mostra-se bem desafiante. Os bandidos sabem, desde
o início, que você está atrás deles.
Logo, o game começa com você levando tiro por todos os lados possíveis
e imagináveis. Encarar as hordas que te cercam é quase impossível com
as habilidades ainda por desenvolver. Eis que surgem as pitadas de
estratégia. Além de calcular bem quais dos poderes você quer aumentar,
vale analisar também quais membros das gangues devem ser eliminados
para aliviar o seu progresso. Isso porque há elementos especializados
em tráfico de armas, por exemplo. Acabe com o sujeito e, de tabela,
você enfraquece o arsenal da gangue. Elimine o cara responsável por
recrutar novos bandidos para diminuir o número de leões-de-chácara que
cruzarão seu caminho.
Enquanto
executa essas pequenas tarefas, você aumenta seus poderes, o que
permite em certo ponto, entrar na briga para valer e de forma
igualitária contra os inimigos.
O restante do iceberg
Quem jogou GTA San Andreas já está bem
acostumado com o esquema de mira presente no game. Basicamente o cursor
tem um esquema de trava interessante. Quanto mais tempo apontado para o
alvo, mais firme ela fica. Crackdown usa algo semelhante, porém vai
além. Sejam bandidos, ou sejam veículos, você tem como opção selecionar
pontos pré-determinados de onde quer atirar. Por exemplo, dá para
alvejar a mão de alguém, forçando-o a soltar a arma que estiver
empunhada. Se o tiro for na perna, o sujeito cai no chão e fica a mercê
do seu golpe de misericórdia - este é um dos momentos mais legais do
jogo, principalmente se você é daqueles que curtem uma boa
dramatização. Aqui, terá a chance de colocar a atuação
em pauta. O
sistema é muito bom e abre um leque de opções bacanas no meio do
tiroteio. Só não é perfeito porque a mira automática insiste em acertar
quem estiver na direção da sua arma, independentemente da distância em
que se encontra o alvo. Ou seja, mesmo que um bandido esteja ao seu
lado, caso você aponte para um a
50 metros de distância, a mira vai travar nele, atrasando o seu tempo de reação e, provavelmente, nem acertando o sujeito.
Em relação aos carros, o sistema de escolher pontos específicos para
atirar também funciona. E muito bem. É possível furar os quatro pneus,
acertar apenas a carcaça ou explodir tudo com um tiro certeiro no
tanque de combustível. E já que o assunto são os carros, saiba que você
pode usar todos, sem limitação. Das bagaceiras às máquinas especiais
preparadas pela Agency, nesse caso, um superesportivo capaz de atingir
uma velocidade vertiginosa.

A pé ou de carro, o modo de exploração do imenso mapa é vasto. Em
determinado momento você nota que tanto faz mover-se pelo chão como
pular de prédio
em prédio. A
sensação espacial no game é fora do comum. Praticamente não há limites:
horizontal e vertical oferecem o mesmo incentivo de exploração. E tudo
fica ainda mais bacana conforme seus poderes aumentam. Na boa, saltar
de um arranha-ceús e chegar ao telhado de um edifício a duas, três
quadras de distância é sensacional. Ou ainda dar um pulo gigantesco e,
na queda, sentir o asfalto se espatifar com o impacto já é motivo
suficiente para continuar jogando e sempre testar os limites do game. E
não são poucos, vale dizer. A física impressiona. Pela aparência
cartunesca dá a sensação de que não houve preocupação em apurar os
efeitos físicos. Prepare-se, novamente, para se surpreender. Cada
objeto pode se dividir em zilhões de pedaços. Em meio a uma explosão é
possível ver estilhaços voando para todos os cantos. Quase tudo o que
se vê no cenário pode ser arremessado ou destruído. Até mesmo o corpo
dos inimigos que você eliminou. Essa era uma das promessas do game,
que, felizmente, se manteve e ainda faz com que tudo pareça muito
intuitivo.
Voltando um pouco ao visual, saiba que o fato de ter cara de desenho
nem de longe o torna um. Há muitos detalhes nas texturas, diferente do
que se vê em cell-shading tradicional. Assemelha-se muito ao filme
Homem Duplo (A Scanner Darkly, 2007), estrelado por Keanu Reeves, que
utiliza uma técnica chamada rotoscopia que transforma a filmagem num
espécie de desenho animado. Crackdown lembra muito isso. Para quem
curte ficar informado de novas tecnologia em game, vale a aposta: logo
mas o cel-shading tradicional vai se parecer muito com aquilo que você
consegue ver em Crackdown.
Leve em conta ainda que tudo o que você leu até aqui pode ser
experimentado em modo cooperativo via Live: outro ponto de destaque
para Crackdown. Barbarizar em dupla é uma das melhores sensações
proporcionadas pelo jogo. Eis o que pode ser a próxima franquia de peso
do console. Chegou manso, pegou a galera da redação de supetão e virou
febre. Dê uma chance e acontecerá o mesmo com você. O jogo é bom e
superou todas as expectativas.

NA MOSCA
A habilidade de mira
O sistema de trava de mira é idêntico ao de GTA San Andreas.
Quanto mais tempo a arma é apontada no inimigo, mais apurado sai o
disparo. Quando sua habilidade de mirar cresce, o tempo de pontaria
diminui.
Derrube os inimigos acertando-os na perna ou
force-os a largar a arma atirando em suas mãos. Possivelmente eles
tentarão pegar algum objeto do cenário para jogar em você.
Se conseguir furar um pneu traseiro de um carro em alta velocidade, por
certo presenciará uma capotagem espetacular. Enquanto ele gira no ar,
acerte o tanque de combustível para uma explosão cinematográfica.
CORRIDA
As corridas a pé estão entre os mais
divertidos objetivos do jogo. Você deve sair de um ponto da cidade,
passar por marcações específicas e chegar na linha de chegada antes do
cronômetro zerar. A questão é que antes de evoluir bastante suas
agilidades, você não terá a menor chance de vencer. No modo co-op o
desafio vira uma corrida para ver quem chega primeiro, com direito a
pancadaria no meio do caminho, com um tentando derrubar o outro
MÁQUINAS VOADORAS
Aumentar a sua habilidade de direção não
altera em nada o controle que você tem dos carros, mas sim o acesso a
novas máquinas, enviadas pela Agency. Além de visualizar transformações
em tempo real, com animações bem bacanas.
Entre os melhores está a SUV evoluída
ao máximo. O bichinho tem um sistema hidráulico poderoso que permite
executar saltos gigantescos. Experimente sair do carro em pleno vôo e
acertá-lo com um foguete no ar.
O esportivo da Agency é absurdamente
rápido e equipado com duas metralhadoras. Como o tráfego aqui é muito
maior do que em qualquer outro game similar, você pode imaginar o
tamanho do estrago que dá para fazer.
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